“Quando eu era criança, e eu ainda nem sabia que tinha o dom da arte, mas já desenhava com carvão nas paredes, com um graveto nas estradas... quando chovia, eu que era muito esperto, usava o barro para fazer figuras. E foi assim que eu comecei a emocionar todas as pessoas que passavam pela estrada.” José Assunção – jun/99
E que bela estrada esse primitivista criou ao sabor de uma fantasia ingênua onde envolvia sua pintura em um clima bastante pessoal, outras vezes a enriquecia com imagens e símbolos que exorbitavam a realidade e que alcançaram o sonho daquele que foi um artista plástico autodidata, quase um itabirano.
José Assunção de Carvalho é mineiro de São Domingos do Prata, nasceu em 15-08-1911. Devido ao fato de ter que ajudar financeiramente os pais, freqüentou uma escola pública rural por apenas dois anos. Em 1935, Assunção muda-se para Itabira pela primeira vez. Após um tempo nessa cidade foi passar uma temporada em Belo Horizonte, onde contraiu xistose nas águas poluídas da Pampulha, então retornou à terra natal e resolveu alugar uma cadeira de barbeiro, já que não podia mais fazer serviço braçal. Quatro anos e meio depois voltou para Itabira em definitivo e montou sua barbearia em um dos cômodos da casa onde morou na rua Santana. Foi nesse local que despontou seus dons artísticos e, em 1953, começou a pintar as primeiras bandeiras religiosas. Inclusive a primeira delas foi uma homenagem a Santo Antônio. Incentivado por um amigo e vítima de um acidente, no qual fraturou o braço, resolveu pintar telas em folhas de eucatex, a partir de então se descortina um grande artista que trabalhou até o seu falecimento, em 2003. Durante sua trajetória além de artista plástico, tocava bandolim durante as missas da Catedral Nossa Senhora do Rosário.
O número de telas pintadas por José Assunção ultrapassa os dois mil e estão espalhadas por estados brasileiros como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal; além da capital e cidades do interior de Minas Gerais e países europeus, asiáticos e norte-americanos. Inúmeras exposições também fazem parte do currículo desse artista que recebeu seu primeiro prêmio, já com o primeiro lugar, com a tela “Folia de Reis”, em uma exposição da Asta, no Rio de Janeiro, em 1978.
Em suas obras, o artista que tem a pintura primitiva como estilo, retrata as paisagens da lembrança e da vivência. São milhares de espectadores que assistem ou participam de festas religiosas e folclóricas, ou até mesmo, apenas o cotidiano das pessoas do interior.
Pintura Primitiva
A pintura primitiva que também recebe o nome de arte ingênua ou naif é uma obra de arte que traz consigo fortes raízes populares. O pintor primitivo é aquele cujas obras se caracterizam pela espontaneidade, simplicidade, descrição pictórica minuciosa nos detalhes das cenas enfocadas, além da elaboração de uma pintura fora dos padrões do uso da perspectiva e do claro-escuro eruditos.
Ser de origem simples e quase nunca ter passado por um processo de aprendizado nas escolas de arte são características desses pintores primitivos. Eles não estudam a história da arte, o trabalho surge como uma invenção do mundo que os circula.

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